Ignorando a reddit menina

Dessa maneira, o público consegue não dar notoriedade para publicações que não gostam ou concordam, através de downvotes ou simplesmente ignorando. Diferente do YouTube que mostra os likes e dislikes de um vídeo, o Reddit coloca apenas o acumulado. O funcionamento do site demonstra que, de fato a maioria das pessoas são boas. Solve as many puzzles as you can in 5 minutes! Each puzzle gets harder. 3 strikes and you’re out. Are you ready for the challenge? clipzui.com on reddit.com: Reddit gives you the best of the internet in one place. Get a constantly updating feed of breaking news, fun stories, pics, memes, and videos just for you. Passionate about something niche? Reddit has thousands of vibrant communities with people that share your interests. Fazer uma garota gostar de você quando ela não tem interesse em relacionamentos é difícil, mas não impossível. Se ela disser que 'não está pronta para um relacionamento sério', geralmente não gosta de você ou acabou de terminar um namoro. Uma dica é convidá-la para sair junto com um grupo de amigos. Ela era forte, e sabia. Por isso andava sorrindo por aí, ignorando todas as suas dores 🌈💛 Depoimento #1: Eu fiquei chocada quando minha filha de treze anos me contou que era, na verdade, o meu filho transgênero.Ela não possuía traços masculinos e detestava todos os esportes. Porém, sendo uma adolescente inteligente, peculiar e com um grau de autismo, ela possuía um histórico de não se dar bem com meninas. A menina inocente, da do sonho tão diferente, não fora poesia, cortaram-lhe as asas nem fizera magia. Na sua pureza, confrontada com a realidade, deixou-se levar com o imposto por não ter idade. E nesse mundo onde cresceu, que em nada era o seu, tornou-se mulher que de poesia não tinha nada, não era amada, por todos rebaixada, ficou presa ...

Pela primeira vez na minha vida eu penso em fazer outra coisa ao invés de ser artista, culpa desse governo e da pandemia.

2020.09.30 14:08 bebedisco Pela primeira vez na minha vida eu penso em fazer outra coisa ao invés de ser artista, culpa desse governo e da pandemia.

Olá. Sou Beatriz e sou ilustradora, dá para ver meu trabalho clicando no meu perfil acho eu. Comecei em dezembro na verdade, mas antes disso eu já era ilustradora, como tradicional, e bordadeira. Comecei com a minha marca Menina Canceriana faz um tempo, deste de 2016, e nunca fui focada nela, até pq, precisava trabalhar e ganhar dinheiro. Vamos dizer que o Menina Canceriana era um complemento de renda. Trabalhava num lugar que a princípio amava mas depois só me fez aumentar consideravelmente meus cabelos brancos. Então ano passado fiz intercâmbio para a Irlanda, bem fodida de dinheiro, não levando todo o dinheiro que deveria levar, mas sobrevivi. No meio dessa viagem, um amigo me falou sobre o iPad e procreate, fiquei doida e no meio da minha eurotrip decidi que iria levar este aparelho. No intercâmbio da Irlanda você pode trabalhar e com certeza se não fosse pelos euros que recebi eu não teria condição de viajar o bando de pais que viajei. Para conseguir comprar o iPad minha economia ficou mais agressiva, a ponto de comer pão e queijo de almoço pq era mais barato no mercado (obrigada mercado barato da Europa). Enfim, comprei o tal do aparelho, convenci o meu irmão a comprar a caneta e no avião para voltar comecei a treinar no procreate e o plano era o seguinte: treinar todo dia até chegar no momento de aplicar commissioes e trabalhar confortavelmente nisso. Nesse plano também incluía entrar em feiras, me jogar em tudo quanto é lugar, tentar aplicar aqui no Reddit pq me falaram que era fácil, conseguir dinheiro de gringo pq ganhar em euro é bom demais. Até que enfim BOOM pandemia. No começo até tinha gente que ainda pedia encomendas. Afinal, o troço iria durar dois meses né? Todo mundo tava com seu emprego. Mas aí foi chegando junho.... julho...estamos em outubro praticamente. Um mar de gente sem emprego, e melhor, sendo micro empreendedor que nem eu. E isso não é bom, basicamente pq se você tá vendendo doces para conseguir alguma alimentação a última coisa que você precisa é de um quadro bonito na sua parede. Muita gente me pediu orçamento para fazer ilustra para camisa por exemplo. Mas uma ilustra de camisa é 350 no mínimo e se vc tem 2k para investir numa loja pequena de estamparia você não vai querer pagar uma grande parte nisso para um ilustrador, correto? Eu peguei todas as dicas de como e onde vender. Já tentei aplicar aqui, no tumblr, no insta (que está fodendo a gente aliás), nos grupos de face... já fiz coisa muito popular, coisa que não é. Já tentei Tiktok. E nada. Aí vem a crise: parte eu sei que é por causa do governo que não tem uma política pública econômica que ajude a população de forma que a galera tenha emprego, logo as pessoas não terão dinheiro e convenhamos que artista está lá embaixo da pirâmide. Outra parte é a incerteza se eu to fazendo algo realmente bom a ponto das pessoas quererem encomendar comigo, mesmo treinando todo dia e gente com menos tempo que eu que tem mais encomendas, impossível a não comparação. Ou se é a época astrológica difícil para todos. Por fim, eu não aguento mais trabalhar com a incerteza de encomendas, com os cliente me ignorando quando passo orçamento, com o “PELA MOR DE DEUS COMPRE COMIGO” que tenho que me sujeitar todo dia. E foda é que nem amigos me apoiam direito, um até pediu orçamento mas fez como qualquer cliente é sumiu sem falar um obrigada e a outra tava precisando de artista, eu lembrei a ela que eu sou uma, e ela me ignorou. Queria algo fixo para não me estressar mais com isso e o nível de desesperança é tão grande que pensei me me candidatar para ser vendedora de roupa aqui onde moro. Pq já tenho uma idade que não rola mais viver das migalhas que vivo.
(Post sem conselho pq duvido de vdd que haja um que vai dar certo, até pq eu tento fazer tudo que me falam e nada da muito certo. Adorei este grupo é espero que numa próxima eu dê boas notícias)
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2020.07.13 01:11 Akari-Kun Eu e minha amiga somos babacas por parar de falar com uma ex-amiga que nos trocou por outras pessoas?

Ola pessoas, primeiramente, estou escrevendo por mim e por uma amiga minha que não tem reddit.
Eu vou escrever uma conversas que considerar importante para a história, já que não sei colocar fotos :>
E a história é gigante, só avisando. E é só a parte 1 então é realmente grande.
Como eu vou chamar as pessoas dessa história
Ex-amiga: Fernanda Amiga: Natalia Pessoas por quem a Fernanda nos trocou: Os outros.
Contexto:
Eu conhecia a Natalia desde que nascemos, fomos para a mesma creche, e depois para a mesma escola. Nos separamos lá pelo terceiro ano, e Fernanda continuou na minha turma. Nunca falei muito com ela, mas Natalia voltou para a minha turma e ela e Fernanda se tornaram amigas. Mais tarde me juntei a elas.
Faz pouco tempo, Fernanda começou a falar muito com os outros. No início, ela já falava muito com eles, mais do que com a gente, mas eu tava de boas porque se ela quisesse falar mais com eles do que comigo e com Natalia a escolha é dela, ela poderia falar com quem ela quiser, eu não ia reclamar. Mas de uma hora para a outra ela parou totalmente de falar comigo e com a Natalia. Sem explicar nada, tirou Eu e Natalia dos grupos que nós estavamos. Cortou todos os laços que nós tinhamos. Quando ela falava com a gente era para falar putaria, e eu e Natalia não gostavamos disso, nem um pouco.
Ela só falava com nós decentemente quando era para fazer trabalho em grupo, que ela dizia que os outros não iriam fazer com ela, e para pedir matéria de quando ela dormia no meio da aula, ou quando ela tava triste, acho que ela achava que nós não eramos amigas dela e sim pisicologas.
Ela colocava nos status videos do tiktok de gente que faz aqueles videos depressivos sabe? Ou então colocava fotos de "pessoas que mais sorriem são as mais tristes". Um dia cansei disso e fui dalar com ela, ela disse literalmente que não era nada e que ela sk queria atenção. Daí eu já fiquei tipo "tá bom essa pessoa tem uns probleminhas". Mas ok.
Um dia ela veio falar comigo e eu estava falando com a Natalia e ela disse que eu a estava ignorando. Dai junta raiva, tristeza e TPM e eu disse que não estava ignorando ela e que não iria mais parar a minha vida para ir galar com ela na hora em que ela quisesse.
Aí foi a seguinte conversa:
Ela: c tá ligada que eu vou ficar isolada né? Ela: ...
Eu: vai ficar não
Ela: vou sim.
Eu: vai ficar com seus amiguinos.
Ela: a "natalia" não é minha amiga também.
Eu: querida eu tava falando dos "outros"
Ela: eu não fico com eles
Eu: tá bom, se tu não fica com eles porque começou a ignorar eu e Natalia.
Ela: eu não ignorei vocês, vocês que me ignoraram.
(Eu fiquei um tempo sem responder, porque tinha ido comer, comida acima de tudo, não é mesmo.)
Ela: adoro ser ignorada por que era minha melhor amiga
(ainda tem isso, a gente era melhores amigas antes disso)
(Eu me recuso a escrever mas ela tava fazendo chantagem emocional dizendo que eu ia fazer ela se matar, e que ia ser minha culpa se eu morresse, e que ela era a melhor pessoa que eu ia encontrar na minha vida, enfim coisas do tipo)
Eu: ataa Eu: não vem fazer chantagem emocional agora, e quem disse que eu te considero minha melhor amiga agora? Faz, tipo, meses que tu não fala comigo se não para reclamar da vida e pedir matéria que você predeu porque FICAVA DORMINDO NO MEIO DA AULA. Então não vem reclamar, eu não vou ficar com pena.
Ela: eu não fiz nada pra vocês. Agora eu tento falar com vocês e vocês me ignoram como se eu fosse nada para vocês.
Eu: ta provando do próprio veneno, não é bom ser ignorada, certo?
Ela: legal, não tenho mais amigos então.
Eu: eh, os "outros" não são pessoas.
Ela: são, mas tu acha que eles vão ficar comigo na aula?
Eu: querida, eu espero que sim, porque para você ter nos ignorado e cortado de sua vida, então eu espero que seja por pessoas que vão pelo menos fazer o que a gente fazia porque eu e Natalia não vamos mais ser suas amigas. A gente não vai fingir que nada aconteceu, porque a gente não é idiota que nem você, que troca amigas de verdade, por "amigos" que você não sabe nem se vão ficar com você na aula. Eu: se eu fosse você eu teria cortado laços com eles quando eu percebesse que eles não estão nem aí para mim.
Ela: você nunca falou com eles, você não sabe como eles são. Ela: eles são pessoas legais.
Eu: eh, eh, são. Eu: ah va se ferrar, depois que tu não tiver mais ninguém pelo amor de deus não vem chorar pedindo para eu e Natalia voltarmos a ser sua amiga.
Ela: tu não tem idéia de quanto eu to chorando agora.
(A rotina dela é falar que tá chorando, sendo que ela quendo tá com eles tá toda feliz e ela fica o dia inteiro com eles.)
Ela: agora eu entendo porque meninos são melhores que VOCÊS meninas.
Eu: VOCÊS. Agora tu é homem?
(Pode parecer homofobico, mas eu só estava perguntando porque estava achando engraçado, porque sempre que diziam algo que ela parecia menino ou sei lá, algo do tipo, ela ficava tipo, muito brava, então eu tava quase rindo dela se contradizendo.)
Ela: eles apoiam você, eles te chamam pra jogar e conversar, eles não te deixam, eles falam toda hora com você.
(Ela se contradizendo de novo, e eu esqueci de falar, ela tinha parado de falar comigo e Natalia só por causa que ela e eles jogavam, então eles ficavam o dia inteiro jogando. )
Ela: e respondendo a sua pergunta Ela: eu posso ser trans, eu nunca quis ser menina.
(Isso tava me irritando)
Eu: fds Fernanda, tu acha que eu queria ser menina?
(Eu não sou trans, só queria que existisse um jeito de não ter gênero porque eu não gosto do meu corpo então neh?)
Ela: sim. Tu é amiga das populares.
(Não ligo, mas era eu, as "populares" e Natalia na nossa creche então nós nos conheciamos desde que nos conhecemos por gente, e alias eu já fui até trocada por essas "populares", então eu nem falava com elas.)
Ela: você é bonita, você é tudo.
Eu: para com isso, eu me odeio, odeio minha vida, odeio tudo que está relacionado a mim, vamos esclarecer umas coisa, eu não sou bonita e nem popular.
(Não me julgue mal e que eu só queria atenção, eu não estava bem aquele dia e eu realmente não gosto da minha aparência)
Ela: você não se enxerga? Você é amiga delas
(Automaticamente eu fico popular e bonita, acho que é isso que ela pensa, mas ok, vou parar da atrapalhar.)
Eu: porque será que eu sou "amiga'' delas? Acho que porque eu passei, literalmente a merda da minha vida com elas. E no fim elas me trocaram que nem você.
Ela: eu nunca troquei vocês. Ela: só me bloqueia logo, não é isso que você quer?
Eu: porque você não me bloqueia? Parece que você quer me bloquear da sua vida.
Ela:....... Ela: porque eu quero conversar com você. Como uma pessoa normal.
Eu: pode me bloquear, você já fez isso muitas vezes, só mais uma para a lista.
(No caso, quando eu não fazia o que ela queria, ela me bloqueava e depois desbloqueava e eu fazia o que ela queria, porque querendo ou não eu só tinha ela e a Natalia como amigas.)
Ela: lembre-se que eu tenho toda essa conversa salva em prints.
Eu: eu também.
Ela: VAI FAZER O QUE, MOSTRAR PARA A SUA MÃE, FAZER BULLYNG COMIGO?
Eu: não porque não sou idiota, e já sofri quase bullying que nem chegou a ser bullying e já pensei em me cortrar, então eu nunca vou colocar ima pessoa nessa situação.
Ela:....
Eu: tchau.
Ela: vai fugir da briga?
Eu: não Eu: eu só não quero começar a falar um monte de palavrão e falar tudo que vem na minha cabeça, porque daí eu com certeza seria a errada dessa história. Eu: então, tchau.
Ela: tchau putinha Ela: faz um favor, me bloqueia e só desbloqueia quando for pedir desculpas.
Eu: não vai ser tão cedo.
Cabô a conversa, isso é só uma parte, mas eu tô cansada de escrever, e tá muito grande, e meu deus achi que se eu escrever a história inteira em uma parte ninguém vai ler :>
Se quiserem que eu conte a outra parte me avisem.
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2020.06.10 05:29 pospiesz_07 Eu fui a babaca por estar me afastando de pessoas tóxicas mas que estão me pedindo desculpas por terem me feito mal?

Olá luba, editores, possível convidado, gatas, papelões e turma q está a ver, essa é a minha primeira vez no Reddit e espero estar fazendo tudo certo.
TITULO: Gangue tóxica.
Tudo começou quando eu e a Carls (líder da gangue) decidimos falar sobre uma guria no grupo das meninas da nossa sala (obs: a menina é da nossa mesma sala e tava no grupo). Eu e a Carls estávamos comentando e zuando a guria falando q ela tava pegando todos os piá da nossa sala pra fazer inveja pra nóis, só q as outras guria do grupo começaram a falar pra gente parar pra guria n ficar magoada, só que depois disso a guria saiu do grupo e a gangue veio discutir cmg falando q a guria poderia se matar e tals.. então eu comecei a falar de todas as merdas q eu já tive q escutar da parte delas q não ocasionaram na minha morte e então iniciou a briga. Farls falando q já se dopou, Tarls falando q já tento se mata, Carls dizendo q tá sendo testada por Deus a cada minuto e q eu n sei da vida de nenhuma delas então era pra mim cala a boca. Naturalmente eu comecei a falar que elas e o resto da minha sala q é um conjunto de gente tóxica, preconceituosa e projetos de hétero top q eles tinha parte da culpa de eu ter ansiedade (eles me zoam quando n tiro a maior nota da sala, cobram perfeição da minha parte, ficam fazendo pressão em mim por causa disso e tals). Enfim, depois disso saí do grupo e a Carls veio me mandar msg esses dia falando q sente minha falta e perguntando se ainda estou brava, eu apenas respondi que ela e o resto do grupinho dela n são mais o tipo de pessoas q me sinto a vontade perto, então ela perguntou se poderíamos ser amigas não tão próximas, mas amgs, e eu disse q não, q colegas de turma já estava de bom tamanho, agr ela e outras meninas ficam tentando puxar conversa cmg e me marcando em fotos no insta e tals. Fui babaca por discutir sobre esse assunto e estar ignorando elas?
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2020.05.27 15:35 sonic_star_2 Eu queria que as pessoas acreditassem em mim, vissem que eu mudei e mudo a cada dia, mas ninguém parece enxergar

Eae pessoal, tudo bem? eu venho procurado um sub de desabafo e acabei achando esse, e aqui espero que as pessoas me entendam e q eu me sinta melhor compartilhando minhas agonias, essa é minha primeira postagem, então se eu fizer alguma coisa errada me desculpem. Dsclp tbm se ficar meio grande
Bom, a umas semanas atrás eu terminei com a minha "namorada" (A gente n era "namorado", a gnt se gostava e ficava e tal, era tipo namoro mas ela sempre disse q tava mais pra um "a gnt se ama, mas n é nada sério e tal") e eu não tava conseguindo aceitar que tudo tinha acabado, eu amava ela demais e ver ela gostando e postando coisas sobre outra pessoa tinha me deixado meio pra baixo e frequentemente eu passei a conversar com ela sobre como eu tava me sentindo, enfim, passou um tempo e semana passada eu falei com ela de novo sobre a gnt e tal, e no fim da conversa ela falou que ela realmente não sabia mais o que falar, q a gnt já tinha conversado sobre isso e se fosse pra falar comigo sobre esse assunto iam ser as msm coisas, q é algo que não é saudavel pra nenhum dos dois, pq eu to gostando de outra pessoa e vc fica chateado me vendo com outro, então se fosse pra continuar com essa conversa ela ia só me ignorar e voltar a fazer as coisas dela. Na hora eu vi que eu tinha feito merda por n ter aceitado aquilo, e eu tive um flashback e pedi desculpas, que eu não queria que ela tivesse se sentindo assustada por que eu sempre fui um cara de boa com todo mundo e nessa vez até eu me surpreendi pq aquele cara não era eu, eu sempre sou delicado com as palavras e sempre procuro entender todos os lados, mas dessa vez foi diferente...
Eu pedi desculpas logo em seguida e falei q eu nunca pretendi ser rude com ela, ou sla, fazer ela ficar desconfortável, ela é uma pessoa super importante pra mim pra eu fazer algo do tipo, visto q eu sempre me preocupei com o bem estar dela, ela falou "Eh, okay, então eu vou voltar a fazer minhas coisas aqui, boa noite :/" e eu fiquei mt chateado, eu tentei chamar ela depois mas ela n me respondia, eu mande umas músicas pra ela ouvir e falei que eu ia mudar de verdade, e só depois de várias horas ela falou: "BLZ blz, tudo bem, eu só quero relaxar agora" e sla, parecia q tava tudo bem. No dia seguinte eu conversei sobre tudo isso com minha mãe (pq eu e minha mãe temos uma relação mt próxima, eu conto tudo que acontece pros meus pais, eu n tenho nenhum preconceito falando com eles), e ela me falou que as pessoas vem e vão na sua vida, então que não era pra levar muito a sério, e teve mais coisa q eu n vou escrever aqui se não vai ficar gigante, mas ela falou no geral q ia ficar tudo bem e tal, que n era pra eu me apegar mt a essas coisas pq as pessoas vem e vão, tudo na vida é passageiro e são ciclos, e acho que por isso ter saido da boca da pessoa que eu mais admiro nesse mundo me tocou de um jeito diferente, eu botei na minha cabeça que tudo passa e sla, era provavelmente uma dor passageira, enfim, as palavras dela com as da minha mãe meio que me fizeram acordar, eu me senti realmente mudado depois de conversar com ela, ent liguei pro meu amigo que mora no meu prédio pra conversar sobre isso, quando alguns momentos antes da gnt se ligar a minha "ex" me chamou, perguntando se tava tudo bem comigo, e eu falei que sim, e que tinha escrito um texto de desculpas e tal, que eu realmente tava me sentindo mudado, de verdade, eu tava ficando de boa comigo mesmo depois de ser "acolhido" pela minha mãe, e falei que a dura que ela me deu provavelmente foi boa pra eu acordar, se não eu taria me doendo até agora, sabe? Que eu tava conseguindo me distrair melhor com meus amigos e tal, que as coisas tavam fluindo bem pra mim, eu não sentia o mesmo, parece que tudo realmente se "concluiu", sem remorso. Ela também pediu desculpas pelo dia e tal, e ai a gnt conversou um pouco e parecia tar tudo certo.
Eu entrei pra conversar com meu amigo e ai dps de várias horas conversando e nos divertindo eu entrei pra falar com ela e eu vi que ela tinha me bloqueado nas redes sociais q a gnt usa, menos no Whatsapp e no Instagram (q é por onde a gnt se fala geralmente, mas no Instagram ela privou o perfil e me tirou dos seguidores), e eu fiquei meio "Putz vei", na hora eu fiquei meio chateado pra falar a verdade, mas eu entendi e n me senti mt chateado e tal, eu meio q aceitei na minha cabeça que as coisas da vida são ciclos, e que tem gente que vem e vai, nosso relacionamento tava sendo e foi igualzinho ao do filme 500 Dias Com Ela, sem tirar nem por, foi quase 100% fiel sabe? Passou uns dias da gnt conversando um pouco (tamo conversando bem menos, sla, acho q eu n sinto mais necessidade de vir com coisas novas td hora, apesar de eu gostar mt de falar com ela eu converso com ela quando realmente quiser, não falar algo só pra não deixar a conversa morta sabe?) e eu resolvi perguntar se ela ainda tava chateada comigo, pq eu vi que eu tava bloqueado e tal, e ela falou que tipo, eu fui meio estúpido e "assustador" naquela hora, e que ela falou com uns amigos dela (Inclusive um deles q é um talarico """amigo""" meu q no começo da relação tentou ficar com ela sabendo q eu gostava dela só pq sim, ele é assim com tds as meninas q eu gosto, ele dá algum jeito de descobrir com quem eu to conversando e se meter na vida delas, só que dessa vez eu briguei com ele pq eu me cansei de ele roubar toda santa vez minhas namoradas, e dessa vez deu certo pq ela viu q ele era meio tóxico e falou q n ia ficar com ele, eles só voltaram a se falar no meio desse mês pq eles são amigos {por mais q ele seja meio idiota} e pq ele falou que sentia saudades de conversar com ela e tal depois dele postar uns poemas em homenagem a ela, mas eles nem conversam tanto). Esse cara falou pra ela coisas tipo: "Olha as coisas que ele manda pra vc, que ele posta, ele tá doente por você caralho, só vc n ta vendo", e ela me disse que isso aliado as coisas que outros amigos dela falaram sobre a nossa conversa fez ela ver e sla, me bloquear, pq isso já aconteceu com umas outras pessoas que gostavam dela e ela teve que bloquear pq tava malucas por ela, e ela não queria que isso acontecesse comigo.
Na hora eu falei que eu realmente tava mudado (o que eu realmente to) mas que entendia 100% se ela não quisesse me desbloquear, e ai ela falou q ia esperar esses "ânimos" passarem pra ela me desbloquear, até pq os amigos dela ficaram meio preocupados com ela e tal. Desde antes de ontem eu tentei falar com ela normalmente como sempre, mandando meme e conversando sobre a vida e tal, mas ela tava me ignorando (até ai de boa, pq ela faz isso e mts amigos meus tbm, ent de boa com isso, é meio chato qnd isso acontece mas de boa, sem problema algum) mas dessas vezes eu queria conversar com ela pq eu gosto de falar com ela (Eu to chamando ela bem menos, mas de vez em quando eu gosto de conversar com ela pq eu amo falar com ela, ela me entende e com ela eu consigo ser aberto sobre tudo, é incrível falar com ela), mas ela tava ignorando minhas mensagens chamando e tal.
De novo, não é algo que me deixa triste pq ela e mts amigos meus fazem isso, ent de boa até ai, só fiquei meio chateado por que eu vi que ela tinha postado coisa no perfil dela e curtido uns posts de amigos, então acho que ela não queria conversar comigo. Eu quero q ela veja q tá tudo bem comigo, q eu realmente não preciso dela e que eu finalmente entrei em conciliação comigo mesmo e que eu to partindo pra outra, mas q eu só n quero parar de falar com ela pq ela é importante pra mim, q na hora eu perdi a cabeça e ta tudo bem agr, mas parece q as pessoas n tão vendo com os mesmos olhos q eu. E agora entra o título do post, eu tive um certo pensamento depois disso pq sla, eu sinto que comigo as pessoas não conseguem acreditar q eu mudei, ou que as pessoas assumem coisas sobre mim sem saber, eu n sei explicar.
Um exemplo: eu fiz por esses dias um teste pro meu colégio sobre espectro político (n sei se vou ser julgado por opniões políticas aqui kkkkk, mas foca na história), e tipo, meus ideias sempre foram Liberalistas, liberdade de indivíduo, livre mercado, etc. Só que quando eu fiz o teste deu que eu era de Centro (eu não tinha entendido algumas questões direito e admito que acabei respondendo algumas de forma errada, tanto que mais pra frente eu refiz o teste e deu dessa 2ª vez q eu era liberal), eu mandei a foto pro pessoal e a primeira coisa que eles apontaram foi "Caracas, o Matheus é o que teve maior porcentagem de autoritarismo", por isso eu falei q o teste tinha dado meio errado, pq eu como liberalista prezo sempre pela liberdade individual de cada pessoa. Eu falei q isso dai tava meio errado pq eu era liberal e eles falaram "iiiiii ó o cara vindo com desculpinha" e ai entra o negócio que me deixa mais triste, parecem q sla, n vêem que as pessoas mudam. Por mais que eu já tenha apoiado uma visão mais autoritarista, eu mudei, minhas opniões mudam ao longo do tempo, mas por mais q eu tente me justificar, eles ainda não veem nos meus modos q eu mudei
Eu n sou o mesmo de 1 ou 2 anos atrás, 1 ou 2 dias atrás, 1 ou 2 segundos atrás, as pessoas estão sempre em constate mudança, igual diz Heráclito: "Não se pode tomar banho duas vezes no mesmo rio", Tudo flui. Na próxima vez que me banhar no rio, nem o rio será o mesmo, nem nós seremos os mesmos, mas parece q as pessoas n veem isso.
Eu refiz o teste, deu liberal dessa 2ª vez, deu muito mais liberal do que autoritário e eu tentei me justificar, dizendo que eu não tinha entendido algumas questões e tal (o que é verdade), só q essa merda de opinião ainda fica na cabeça das pessoas "Quem tenta se justificar é pq ta com medo de ser aquilo mesmo q chamam ele", ai eu falei com eles e tal, mas é isso q eu to falando, n só nesse caso pq agr com o da minha amiga tá dando pra ver isso acontecendo: Eu tenho certa apreensão, n é nem medo pq eu meio q ja aceitei q se ela sair da minha vida tudo bem, é a apreensão de q sla, ela tenha uma imagem errada sobre mim e n consiga ver q eu realmente mudei, e quanto mais eu tento me justificar parece q para as pessoas essa "impressão errada" q elas tem fica só mais aparente :(
É tipo: Deu q eu sou autoritário ali no teste, por mais q eu tente provar q eu n sou e prezo pela liberdade, as pessoas vão falar "Iiiiiiii, se ta falando de mais é por q ta com medo de assumir" só q mano n é nada disso, e eu n sei fzr com q as pessoas entendam isso, ngm sabe o que ta na minha cabeça, mas quanto mais eu tento me mostrar transparente eles sla, ignoram, n sei explicar velho, isso é mt chato pq eu posso ser 100% honesto com os meus amigos q eles n veem q eu mudei. Com a minha amiga eu sei que eu sempre pude falar com ela sobre tudo e sempre fui 100% honesto com ela, e ela sempre pareceu me entender, só q agora parece q sla, eu to com medo dela ficar igual meus amigos, pensar q eu só to falando q ta tudo bem de verdade e pra ela n me odiar e parar de falar comigo. O problema é q sla, mesmo eu falando q tá tudo certo de verdade, ninguém parece acreditar, é foda, eu queria q as pessoas vissem pra mim e falassem "Ó cara, eu reamente acredito q tu mudou", mas n é o q acontece. Eu to realmente 100% de boa com ela, apesar de eu estar chateado pq ela ainda n me desbloqueou e me ignorar de vez em quando, mas eu quero acreditar q isso vai vir com o tempo, eu só fico meio sla, triste pq eu me mostro transparente com as pessoas e elas falam "Po, vc n é assim n kkkkkkkk". CARALHO VELHO, ELAS TÃO NA MINHA CABEÇA POR ACASO PRA SABER COMO EU TO? PRA FALAR COMO EU SOU? ELAS SABEM MAIS DE MIM DO QUE EU MESMO PORRA? NÃO!
Então eu acho q as pessoas tinham q sla, começar a ver o mundo do mesmo jeito q eu passei a aceitar e acreditar mais nas pessoas depois de um tempo (sla, por mais q aquele meu amigo talarico por exemplo tenha se desculpado comigo, eu sei q de verdade ele ainda tá puto pq n deu certo ele roubar minha namorada dessa vez e quer me fuder {ele fala mt merda de mim pra ela, sempre falou na verdade, e justamente por isso ela deixou de falar com ele por um tempo}, mas mesmo assim eu n vou insistir e ficar debatendo, se ele disse q realmente mudou mas n mudou, ele só vai estar mentindo pra si mesmo, fazer os outros acreditarem que ele é legal pra depois quebrarem a cara, sabe? Ou sla, outras coisas q acontecem q eu acredito realmente na mudança das pessoas sabe? Eu queria q as pessoas me vissem com os msm olhos q eu vejo elas, vendo q as pessoas mudam, mesmo q sla, em um pedaço pequeno de tempo, como foi comigo q demorou menos de 2 dias pra eu conseguir aceitar q tudo acabou e tirar minha amiga da minha cabeça
Outro e último Exemplo: Eu tava pra editar um vídeo de um amigo meu lá q falou pra eu fzr o vídeo ficar engraçado pra ele postar. Eu nunca recusei fzr essas coisas, sempre q meus amigos precisam de algo q eu posso ajudar eu ajudo, só q dessa vez eu realmente tava sem inspiração pra editar, elaborar as piadas do video, tlgd? eu n tenho agora a msm "engraçadez" de um tempo atrás, e eu falei isso pra ele: "Olha, desculpa, eu posso tentar mas eu n to mt com idéia ultimamente pra editar vídeo, eu n to mais conseguindo fzr os ngc engraçado, então se n ficar engraçado de boa?", e tipo, ele falou "N po, de boa, entendo 100% como é, mas vc consegue cara", e tipo, sla, esse amigo meu foi super de boa, mas tenho certeza que se fosse com alguns outros q eu tenho eles iam falar "Caralho, então vc ta falando q n quer editar pra mim? sendo q tu ta ultimamente editando uns videos de memes curtos? (eu tenho um canal no ytb e agr na quarentena eu to postando direto uns vídeos curtos engraçados q eu edito, já q eu n to com cabeça pra editar vídeos longos e elaborados, sabe?) isso pra mim é desculpinha pq n quer editar pra mim" tlgd? e sla mano, isso é idiota de mais kkkkkk pq por mais q eu tente mostrar e fazer eles entenderem q sla, eu n to com cabeça pra editar vídeo msm, elaborar piada ultimamente, eles n entendem velho, e isso é uma bosta pq parece q é de propósito. Se fosse eu no lugar deles eu provavelmente ficaria sla: "Po qq ta acontecendo com vc? quer ajuda? eu ajudo a editar se quiser" ou "Po te entendo perfeitamente, tudo bem, outro dia se tu ficar melhor pode fazer, mas se n quiser sem problemas :3" sabe? Eu queria q as pessoam vissem como eu me sinto por dentro, ou que eu mudei minhas opiniões e jeitos, mas quando eu tento mostrar as vezes nem funciona e sla, o pessoal ignora, queria que vissem q eu realmente mudei, mas n vou forçaempurrar q eu mudei pra eles, eu quero q as pessoas enxerguem q eu realmente mudo a cada dia, mas sla, as pessoas n parecem ver isso
Provavelmente se esses meus amigos vissem q eu postei esse texto aq eles iam falar "iii olha lá, o cara tá fazendo draminha, ta postando no reddit só pra provar q ele mudou, e quem tenta provar as coisas de mais é pq ta com medo de estar errado"
É foda :/
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2019.04.20 23:57 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - INTRODUÇÃO (PARTE 2)

O ano é 1420.
Em uma noite chuvosa, um homem encapuzado e vestido de preto dos pés à cabeça finta oficiais pasargadanos dentro do imenso e majestoso Castelo de Woodyard - antigo castelo da família Winchestter e, hodiernamente, a sede da Pasárgada. Por mais que se esforçassem, os soldados não conseguiam sequer triscar suas espadas e lanças nas vestes do invasor. Ninguém sabia como o misterioso homem havia driblado a segurança e adentrado no castelo da Pasárgada. E também não tinham nem noção de como para-lo: ainda que encurralado, o homem conseguia deslizar entre os seus perseguidores com agilidade jamais vista pelos mesmos, sem sequer sacar as duas espadas que levava às costas. O veloz sorrateiro passeou pelas salas do palacete e chegou ao trono do rei sem derramar uma única gota de sangue. Lá estava Matiza Perrier, sempre junto de sua esposa, Zoey Deschamps.
O sujeito se aproximou do rei da Pasárgada e prestou uma reverência à alteza, ainda sem proferir uma palavra sequer. Matiza, com seus longos cabelos negros e seu típico e habitual largo sorriso, debochou de seu exército, que não era capaz de frear as investidas de um simples plebeu. Descendo as escadas de seu trono dourado, Matiza disse aos seus comandados presentes na sala principal do palácio que ele mesmo despacharia o invasor, apunhalando a sua longa espada. O que a rainha e seus subordinados testemunharam nos 30 segundos seguintes beirava o insano.
Em menos de um minuto de confronto, o invasor desconhecido, com as mãos limpas, imobilizou Matiza Perrier. O rei, que era um exímio manipulador de armas brancas e que tinha em suas mãos uma montante suíça - uma espada imensa, que media nada mais nada menos do que um metro e meio - não teve chances contra os inacreditavelmente ligeiros ataques de seu adversário. Em questão de segundos e sob os olhares de sua esposa, Matiza Perrier foi completamente neutralizado. O comandante da Pasárgada riu do fato de ter sido derrotado em um combate por um popular. E, reconhecendo o talento incontestável de seu oponente, permitiu que este lhe dirigisse a palavra para revelar o que lhe trazia ao Castelo de Woodyard. O homem misterioso retirou o capuz e disse seu nome: Constantin Saravåj.
Saravåj discursou por alguns breves minutos ao rei da Pasárgada, dizendo que queria fazer parte dos ambiciosos planos pasargadanos de ter todo continente europeu aos seus pés. O homem - que já não era mais um garoto fantasista - afirmou que estava disposto a dedicar a sua vida inteira à sedenta ganância da Pasárgada. Sem tardar, as palavras de Saravåj convenceram Matiza Perrier, que foi contra a vontade de sua própria cônjuge e aceitou o desconhecido homem iugoslavo em seu exército. O comandante pasargadano, que costumava ser excessivamente seletivo na hora de escolher os seus soldados, mas impressionado como poucas vezes antes pela habilidade e destreza de Saravåj, não só admitiu o iugoslavo como um membro de honra de seu reinado como o fez um integrante da Elite Pasargadana. Na cabeça de Matiza, era preferível ter Constantin Saravåj como um aliado do que na oposição, afinal de contas, se tratava nitidamente de um homem perspicaz e perigoso.
A Elite da Pasárgada era um pequeno grupo de quatorze pessoas - agora quinze - que tinham funções-chave no governo pasargadano e que residiam no Castelo de Woodyard. Líderes militares. Administradores econômicos. Pessoas influentes. E, evidentemente, o rei e a rainha. Eram quem sabia e compactuava com toda sujeira que acontecia por baixo dos panos no governo de Matiza Perrier. E, dada a sua importância, os nobiliárquicos eram os pilares do presente e do futuro do império da Pasárgada: sempre que uma decisão importante pedia por ser tomada, uma reunião em mesa redonda era convocada com os integrantes da elite, para que estes entrassem em um consenso.
É interessante pôr em evidência que a fina flor da Pasárgada não era necessariamente composta por homens e mulheres capacitados e qualificados para seus respectivos cargos. A esmagadora maioria eram amigos pessoais do rei Matiza Perrier. Pessoas em quem ele confiava. Um misto de guerreiros, de fato, idôneos com cidadãos triviais e inseguros que apenas buscavam fama e poder. Naturalmente, a Elite também era composta pelas quinze pessoas mais beneficiadas com o capital desviado do povo de Acqualuza.
Saravåj foi encimado como o espião da Pasárgada e passou a usar o mesmo grande sobretudo branco de Matiza Perrier e dos principais membros pasargadanos, que levava um enorme "P" ao lado esquerdo do peito. O seu trabalho era o de apurar dados importantes dos territórios que faziam fronteira com a Pasárgada, se passando por um diplomata inglês, abrindo caminho para uma eventual invasão pasargadana. De todos os componentes da Elite Pasargadana, o iugoslavo era quem menos tinha contato com o rei. Talvez por passar mais tempo galgando de reino em reino em uma falsa missão diplomática do que no próprio território pasargadano. O único contato direto entre Saravåj e Matiza, em sua maioria, acontecia por meio de cartas ou bilhetes, com informações sucintas e diretas apuradas em terras que interessavam à Pasárgada. Na maior parte do tempo, o rei da Pasárgada sequer recordava de que Constantin Saravåj era um membro de seu esquadrão.
O guerreiro iugoslavo agia feito uma cascavel nas terras pasargadanas, esperando o momento certo para dar o bote. Mesmo após completos cinco anos da morte de Camilly Shaw, o peito do homem ainda somente conseguia abrigar raiva e rancor. Durante este meio tempo, o iugoslavo se absteve de todo e qualquer contato um pouco mais profundo com outro ser humano. Isolou-se em seus próprios pensamentos e focou unicamente em aperfeiçoar as suas técnicas de combate corpo a corpo, volta e meia invadindo e saqueando palácios, bancos e comércios dos burgueses para colocar a teoria em prática, sempre idealizando a queda da Pasárgada em seu horizonte. A medida que Constantin Saravåj arrombava portas, roubava sacos de ouro e assassinava nobres, ele tornava-se mais frio e incapaz de cometer erros ou sentir remorso.
Saravåj nunca conseguiu a total confiança e muito menos a amizade de Matiza Perrier ou de qualquer outro membro do alto escalão da Pasárgada. Mas, em contrapartida, da mesma forma, nunca esteve sob desconfiança. Aos olhos dos pasargadanos, Saravåj era um homem de poucas palavras, sempre com o rosto fechado e quase que invisível, mas que sempre arcava com as suas obrigações com rara eficiência.
Foi então que, sob a escuridão de uma fria madrugada, o guerreiro iugoslavo aproveitou-se de sua camuflagem natural entre os pasargadanos e da sua vasta experiência com roubos e furtos para saquear discretamente um cilindro metálico de acetileno, do depósito do Castelo de Woodyard. O acetileno é um gás impossível de ser avistado a olho nú e extremamente inflamável, usado na época, principalmente, como bomba.
O plano de Saravåj era, desde que colocou os pés pela primeira vez no palacete da Pasárgada, ter em mãos e explodir um cilindro médio de acetileno, causando um incêndio sem precedentes no Castelo de Woodyard. Com as chamas se espalhando pelas cortinas e pelos móveis de madeira refinada, Saravåj iria valer-se da confusão generalizada instalada pelo fogo entre as tropas pasargadanas para chegar até a sala do trono, da mesma forma que fez na noite em que ficou frente a frente com o comandante da Pasárgada pela primeira vez, e enfim, assassinaria o rei Matiza Perrier. Deixar o trono pasargadano vazio seria como jogar queijo aos ratos: por mais que, na teoria, Zoey Deschamps tivesse o apanágio de se tornar a rainha soberana após o falecimento de seu marido, os sobreviventes da avarenta nobiliarquia da Pasárgada, incapazes de entrar em concordância, dariam o pontapé inicial de uma disputa incessante pelo poder, instaurando assim, por mais uma vez, um governo instável sobre as terras de Acqualuza. Enquanto os monarcas pasargadanos testilhariam pelo domínio do império da Pasárgada, Saravåj abandonaria o seu fajuto lugar na Elite Pasargadana para se instalar no forte reino militar da Germânia, em uma crucial e sincera missão diplomática.
O reino da Germânia, do arrogante e egocêntrico rei Lindner Laiterberg, era o único governo que ainda era capaz de bater de frente com o império da Pasárgada. Em um cenário que contava com uma Inglaterra desestabilizada após uma série de escândalos envolvendo o governo de Sabino III e com o leste europeu cada vez mais mergulhado em uma profunda crise econômica, a Germânia, célebre por seu grande e organizado exército de soldados, era a única pedra no sapato da Pasárgada, que já havia tomado a Gália, a Catalunha e Coimbra (atual Portugal) para si, além de ter ao seu favor os abundantes recursos naturais da Península de Acqualuza. O clímax do plano de Saravåj contra a Pasárgada era agir em conjunto com Lindner Laiterberg, aproveitando-se da prepotência do mesmo. O guerreiro iugoslavo tinha em mente denunciar a fragilidade momentânea do reino pasargadano ao rei da Germânia, instigando-o a usar esta oportuna situação à seu favor para invadir as terras pasargadanas, que sequer contariam com um rei para mobilizar as suas tropas visando se defender, para assim, no fim das contas, tomar o vasto reino da Pasárgada para si. Sem a presença de um governo e com o foco voltado para um briga de interesses interna, a Pasárgada estaria totalmente desprevenida diante do ataque e deveria ser esmagada pela robusta hoste germânica em questão de semanas.
Após a queda pasargadana, Laiterberg certamente não se sairia bem em sua primeira experiência como imperador, ao ver tantos territórios sob sua responsabilidade. E, no decorrer do efeito dominó, sob a tutela de um regime menos sólido e menos rigoroso em relação à Pasárgada, cidadãos subversivos gauleses, catalães e coimbrenses provavelmente dariam início a um natural processo de revolução e independência, que tinha tudo para ser bem-sucedido. Mas, em todo caso, ainda que o monstro europeu se tornasse a Germânia e esta viesse a concretizar o plano de colocar a Europa inteira de joelhos, que no princípio era pasargadano, pouquíssimo importava para Constantin Saravåj. Contanto que ele pudesse usar o exército germânico como fantoche para massacrar a Pasárgada e devolver na mesma moeda o calvário que o reino de Matiza Perrier o fez passar há exatos cinco anos, não era significativo o final daquele roteiro. O planejamento de Saravåj não era perfeito e estava recheado de brechas. Mas havia chegado o momento de contar com o acaso - ou com a justiça divina, se esta de fato fosse real. Inspirado na CAJA, o iugoslavo definiu data e hora para realizar a sua conflagração.
Tudo caminhava como o articulado por Saravåj, até que, durante uma noite, o guerreiro despertou em seu quarto no Castelo de Woodyard com uma mão sobre a sua boca. Sem pensar duas vezes e em um movimento rápido e violento, o iugoslavo, em questão de segundos e sem dar tempo de reação ao seu oponente, levantou-se ferozmente e prensou o invasor contra a parede, batendo com força o corpo do desconhecido contra a madeira fina da parede de seu quarto. Mesmo em meio ao breu da madrugada, pôde identificar o rosto familiar: Randolph Mayoral. Inglês com descendência catalã, era o braço-direito de Matiza Perrier e comandante geral do exército da Pasárgada, além de ser a pessoa mais próxima do rei, em quem Matiza Perrier confiava cegamente. Cochichando para evitar chamar a atenção dos guardas noturnos, Saravåj perguntou à Randolph quais eram as suas intenções ali. Randolph Mayoral levantou as suas mãos calmamente, em um gesto de rendição, e afirmou que tinha o melhor dos propósitos. Estava ali para fazer um acordo. Saravåj soltou Randolph, que começou a caminhar lentamente pelo pequeno quarto enquanto falava. O inglês disse que estava observado Constantin Saravåj há algum tempo. Para ele, toda incógnita que envolvia o iugoslavo deixava evidente que este mesmo tinha segundas intenções nas terras pasargadanas. Randolph alegou que foi um espectador do furto de Saravåj ao depósito de Woodyard.
Neste instante, o iugoslavo arregalou os olhos e viu os seus cinco anos de planejamento se esvairando diante de si. Percebendo a aflição de Saravåj, Randolph riu e prometeu que não havia procurado pelo iugoslavo para fazer chantagens. O braço-direito de Matiza Perrier disse que também estava arquitetando uma rebelião contra a Pasárgada. Revelou que não considerava Matiza como digno de liderar um império tão poderoso como o pasargadano. Afirmou que não considerava como justo que Matiza Perrier, um mísero coitado que via a si mesmo como uma figura divina na Terra, tivesse tanta sorte. Sorte para ter metade da Europa à sua disposição. Sorte para ter seus pés beijados pelo povo da Península de Acqualuza, por mais que fosse o verdadeiro carrasco destes mesmos. E sorte para ter uma mulher maravilhosa ao seu lado - a quem ele traía constantemente e abertamente. Randolph Mayoral invejava Matiza Perrier, e estava somente esperando o momento adequado para derrubar o atual rei da Pasárgada de seu pedestal. Saravåj sorriu e disse para Randolph que seria uma honra tê-lo como aliado na revolta contra a Pasárgada.
De imediato, Randolph teceu as suas mudanças na estratégia de Constantin Saravåj: nada de acetileno, explosões ou chamas se alastrando pelo castelo. O inglês preferia optar por preservar o patrimônio histórico, mas sem deixar de lado a matança: o plano de Randolph era fazer do motim contra o governo de Matiza Perrier um enorme e sanguinário espetáculo teatral. Sobretudo, o delineamento do inglês se baseava em fazer com que os seus mais competentes e confiáveis soldados, integrantes do próprio exército nobre pasargadano, dos quais Randolph Mayoral era o capitão, penetrassem na sede da Pasárgada travestidos de cidadãos acqualuzenses, causando um alvoroço absoluto no esquadrão de guerreiros pessoais de Matiza Perrier, que seria atacado de surpresa. Não seria uma tarefa difícil convencer os guerreiros a virarem as suas costas para o rei com ilusórias propostas, envolvendo ouro e reconhecimento. Sem os seus habituais uniformes, com vestes de pano, portando espadas de ferro barato e com o hino de guerra "OS MONARCAS NÃO NOS AJUDAM!", em alusão à revolução de 1416, os súperos oficiais de Randolph Mayoral teriam a falsa invasão ao Castelo de Woodyard facilitada por ele próprio, que sabotaria as principais entradas do palacete - tarefa que Randolph dividira com Constantin Saravåj. Já dentro do palácio pasargadano, os hábeis oficiais de Randolph, sob a fantasia de militantes do povo de Acqualuza, repetiriam o Domingo Sangrento. Seria acrescida mais uma noite de chacina aos nobres na história da Península de Acqualuza.
O que por trás das cortinas era uma traição ao rei minuciosamente calculada pelos membros do mais alto escalão da Pasárgada, Randolph Mayoral e Constantin Saravåj, aos olhos da Pasárgada, do povo e de toda Europa teria todos os componentes de uma inesperada revolta popular. Seria a explicação mais plausível e não haveriam motivos para suspeitar-se de que Matiza sofrera uma apunhalada pelas costas de um próprio oficial pasargadano, fazendo com que a emboscada de Randolph e Saravåj passasse despercebida por todos. No desfecho, os planos dos dois integrantes da Elite eram idênticos: culminariam com a morte do atual rei da Pasárgada e com o abalamento absoluto da mesma. Saravåj animou-se, elogiou e acatou o planejamento de Randolph Mayoral, e ambos consolidaram a improvável aliança com um firme aperto de mão. Com o sol já nascendo ao Leste, Constantin Saravåj fez questão de abrir a porta de seu quarto para seu cúmplice, para que, a partir do instante em que Randolph cruzasse a porta, ambos dessem início aos preparativos da cova de Matiza Perrier.
Eram quase cinco horas da manhã. Quando enfim pôde voltar para sua cama, Saravåj sentiu um peso de duas toneladas sob seu travesseiro. O iugoslavo sabia que não podia confiar em Randolph Mayoral. Ficava óbvio nos olhos do inglês que o seu plano da rebelião contra a Pasárgada tinha um fundo falso. A real intenção de Randolph era sentar-se no trono vazio da Pasárgada depois da morte de Matiza Perrier, a quem ele fingia admirar. Disso, Saravåj não duvidava: Randolph, de fato, faria tudo o que fosse necessário para ter a Europa inteira à sua disposição. Para ter os seus pés beijados pelos cidadãos da Península de Acqualuza, por mais que fosse o verdadeiro carrasco destes mesmos. E para ter Zoey Deschamps - que era uma bela e formosa mulher - como sua esposa. Chegava a ser ridículo de tão óbvio. Trocar Matiza Perrier por Randolph Mayoral seria o mesmo que trocar seis por meia dúzia. Sob a visão de Saravåj, Randolph nada mais era do que uma versão menos ingênua do atual rei da Pasárgada. Para que o plano do guerreiro iugoslavo tivesse sequência, o trono pasargadano deveria permanecer vago. Se Randolph Mayoral se auto-coroasse rei da Pasárgada, o seguimento do planejamento de Saravåj perderia o sentido. Saravåj tinha que encontrar uma forma de matar dois coelhos com uma tacada só e tirar tanto Matiza quanto Randolph de seu caminho na noite da fajuta revolta contra o governo pasargadano. Para isso, Saravåj seguiu com a sua encenação. Fingiu ser um leal companheiro de Randolph Mayoral até o dia 11 de Abril de 1420, que, por ironia da vida, era exatamente o mesmo que o inglês fazia com o rei Matiza Perrier.
Eram sete horas da noite. Por coincidência do destino, mais uma vez em uma noite chuvosa, uma tropa de mais de cem homens vestindo roupas simples conseguiu arrombar a principal entrada do Castelo de Woodyard, avançando violentamente dentro deste mesmo pelo salão principal, aos berros. A guarda do castelo foi pega completamente desprevenida. Teoricamente, a segurança deles deveria estar garantida pelos altos e fortes portões de madeira do palacete. Muitos dos guerreiros de Matiza Perrier sequer estavam com suas armas de combate em mãos quando os revolucionários adentraram em Woodyard. Era inegável que Randolph Mayoral sabia como capacitar um esquadrão. Os supostos invasores acqualuzenses avançavam rapidamente dentro da sede da Pasárgada, dizimando sem fazer muito esforço as tropas pessoais de Matiza Perrier.
Naquele mesmo instante, no ponto mais alto do palacete de Woodyard, todos os componentes da Elite Pasargadana - todos, exceto um - estavam reunidos, na habitual mesa redonda de mármore, já cientes de que estavam diante de um ataque de seus próprios cidadãos. Eram várias as perguntas sem respostas. Teria o povo enfim descoberto sobre a corrupção pasargadana? Era a explicação mais verossímil para uma revolta tão repentina. Mas como? Haveria então um traidor infiltrado entre eles naquela sala? Inúmeros integrantes do alto escalão da Pasárgada exaltaram-se e encheram o peito para apontar dedos uns aos outros, fazendo acusações sem provas nem fundamentos. No meio do tumulto, estava o próprio mentor da investida contra os pasargadanos que acontecia alguns andares abaixo dos mesmos. E foi exatamente Randolph Mayoral quem acalmou os ânimos de seus colegas da nobreza com discursos repletos de cinismo. Randolph afirmou que, como Comandante Máximo do Esquadrão de Elite da Pasárgada, era seu dever expor-se ao perigo e descer ao salão principal do palácio para movimentar o exército da Pasárgada, na tentativa de evitar que o desastre alcançasse proporções ainda maiores, sempre em companhia de seu co-comandante, Marcell Cabral. O poderoso homem que estava sentado no centro da mesa redonda, Matiza Perrier, concordou prontamente com Randolph Mayoral.
Marcell Cabral, catalão de origem que foi criado na Inglaterra após ser rejeitado por seus próprios pais, era um amigo de infância de Matiza e um dos membros pioneiros da Elite da Pasárgada. Todavia, do mesmo modo, era um dos integrantes menos importantes e favorecidos do seleto grupo dos "quinze". O comandante pasargadano arrependeu-se amargamente de ter nomeado Marcell Cabral como integrante de seu alto esquadrão. Matiza Perrier julgava o catalão como inapto e intelectualmente muito abaixo dos demais. De fato, Marcell era um garoto inseguro e introvertido, que não demonstrava vocação em nenhuma área do militarismo. Tinha pouca intimidade com armas de combate e também não tinha desenvoltura suficiente para se tornar diplomata ou governante. Geralmente, era isento nas tertúlias da Elite Pasargadana e sequer opinava. Por fim, escondeu-se como co-comandante do primeiro escalão do exército pasargadano, em uma função que se simplificava a somente acompanhar o comandante supremo Randolph Mayoral. Exerceu essa função como pôde, por anos. Até aquela noite.
Enquanto desciam a sequência de escadas do Castelo de Woodyard, Randolph apunhalou Marcell covardemente, pelas costas. Com um pequeno e afiado punhal em mãos e com o catalão já agonizando no chão, o inglês esfaqueou Marcell Cabral mais uma vez, desta vez cirurgicamente na veia jugular de seu pescoço, dando um rápido e trágico fim ao sofrimento de Marcell. Marcell Cabral, por mais que fosse facilmente maleável, era uma testemunha em potencial do golpe contra o rei Matiza Perrier. O corpo sem vida do jovem catalão, em poucos segundos, foi coberto por uma grande poça de sangue, que pingava lentamente gotas cor vermelho-vivo entre um degrau e outro.
Randolph Mayoral, disposto a realizar barbaridades em nome do assassinato de Matiza, na intenção de usurpar o trono da Pasárgada do mesmo, passou a comandar os seus homens de perto quando chegou ao palácio principal. No salão, abriu um grande sorriso quando avistou incontáveis guerreiros que levavam a letra "P" ao peito caídos no chão, já sem vida. O Exército de Elite da Pasárgada, disfarçado de indignados representantes do povo da Península de Acqualuza, por mais que fosse menor em quantidade, se fazia maior em sua força de combate. Era só uma questão de tempo até que os rebeldes progredissem até a sala do rei e tivessem a cabeça de Matiza em suas mãos. Era nítido que o exército de Matiza Perrier estava desorganizado e, acima de tudo, amedrontado. Totalmente incrédulo de que o que estava acontecendo era real.
Entretanto, poucos minutos depois de Randolph chegar ao palácio principal e começar a proferir palavras de ordem aos invasores, pôde-se ouvir um estrondo ensurdecedor. Como um trovão que caíra dentro do Castelo de Woodyard ou como uma bomba que acabara de explodir nas proximidades do palácio. Após o barulho, soldados dos dois lados do campo de batalha permaneceram estáticos. Randolph Mayoral tentava disfarçar a sua inquietação mordendo os lábios. Ninguém conseguia imaginar o que poderia ter ocasionado um som tão alto e agudo. Foram segundos de tensão no palacete de Woodyard, até que, pasargadanos e acqualuzenses sentiram um calor descomunal em seus corpos. A temperatura do ambiente subiu aceleradamente. E quando os guerreiros, enfim, olharam para os lados, observaram chamas se alastrando pelas quatro paredes do palácio principal. Com seus olhos refletindo o fogo ardente, Randolph Mayoral não teve dúvidas: Saravåj havia quebrado o pacto.
O inglês permaneceu inerte, sem sequer morder os lábios desta vez. Constantin Saravåj havia colocado tudo a perder. Observando os seus homens lutando contra um adversário a mais, Randolph foi forçado a admitir em poucos minutos que a operação que prometia ser o pontapé inicial de um eventual governo pasargadano sob sua tutoria havia fracassado. Randolph Mayoral, enfim, tomou a relutante decisão de ir na mão contrária de todo pensamento que havia passado pela sua cabeça nas últimas semanas e rugiu para todas paredes do saguão principal, ordenando que os revolucionários cessassem a invasão. Os soldados da Elite Pasargadana, ainda travestidos de cidadãos de Acqualuza, retardaram para compreender o comando. O comandante do Exército de Elite da Pasárgada organizou o seu pelotão e mudou o alvo dos guerreiros: a meta, a partir daquele instante, era defender a sala real e caçar o atual espião da Pasárgada por todo metro quadrado do palacete. Randolph não sabia exatamente quais eram as intenções de Saravåj com o incêndio, mas era evidente que àquela altura do campeonato o iugoslavo era mais um inimigo do que qualquer outra coisa. Um grande ponto de interrogação invadiu o inconsciente de todos aqueles homens com vestes de pano de segunda sujas com sangue. Chegava a ser paradoxal. Há alguns minutos atrás, todos eles estavam dando a alma para assassinar Matiza Perrier a todo custo. E agora, por mais controverso que soasse, a missão era proteger o mesmo Matiza Perrier. E como se não bastasse, nenhum dos pasargadanos sabia com precisão quem era o responsável pela espionagem na nobiliarquia da Pasárgada. Nenhum daqueles homens tinha a mínima noção de quem era Constantin Saravåj Mandragora. Tão perdidos quanto os soldados pessoais de Matiza, os homens do Exército de Elite da Pasárgada tentaram seguir à risca a determinação de seu capitão, ignorando as chamas que se dispersavam pelas paredes como se houvesse um dragão feroz dentro do Castelo de Woodyard.
Alguns andares acima, Constantin Saravåj vivia um déjà vu após explodir com sucesso o cilindro de acetileno. O iugoslavo, ainda vestindo o sobretudo branco pasargadano, fintava os mais competentes combatentes da Pasárgada - tanto os que usavam fardamento quanto os que usavam trapos - e dançava com o fogo. Com a mesma velocidade anormal da noite em que invadiu Woodyard pela primeira vez, Saravåj concentrava todos os seus esforços em chegar no trono do rei antes dos pasargadanos. Matiza não podia fugir. Os seus cinco anos de planejamento dependiam apenas de sua competência. O espião conhecia o palácio como a palma de sua mão e não demorou muito até que Saravåj, se livrando de todos homens da Pasárgada sem nem mesmo colocar as suas mãos nas duas espadas que carregava nas costas, chegasse com êxito ao luxuoso salão de Matiza Perrier.
Contudo, lá o guerreiro iugoslavo somente pôde observar chamas. Nos quatro cantos da sala. O fogo consumia com voracidade todo móvel de madeira refinada. Subia rapidamente pelas enormes cortinas vermelhas. Derretia todo ouro que havia ali por puro capricho. Mas o trono estava vazio. Não havia nenhum rei. Não havia cetro de ouro, nem manto real. O comandante da Pasárgada não estava ali. Matiza Perrier havia conseguido driblar o incêndio e foi bem-sucedido em sua fuga, sem deixar quaisquer vestígio. Saravåj caminhou vagarosamente até o meio da sala real, tremendo, desconsiderando a temperatura-ambiente absurdamente alta. O iugoslavo olhava em câmera lenta para todos os lados, como uma criança que conhece um lugar pela primeira vez. O curto fio de esperança que dizia para o coração de Constantin Saravåj que tudo daria certo calou. Aquela sala vazia era o seu segundo calvário. Aquela mesma sala onde ele havia colocado Matiza Perrier no chão em poucos segundos. O iugoslavo sentiu a solidão monstruosa de estar sozinho com as chamas. No meio do salão, agachou e levou as mãos ao rosto, como se fosse desabar em lágrimas. E soltou um berro desumano.
As tropas pasargadanas se mobilizaram e controlaram o fogo em poucas horas. As perdas materiais foram inestimáveis. O aroma de cinzas corria por todas as salas do palácio. Muitos integrantes da Pasárgada tiveram os seus corpos degenerados pelo fogo e muitos mais tiveram o seu peito transpassado pelas espadas dos rebeldes. Foram quase mil baixas humanas para a Pasárgada, incluindo Marcell Cabral, membro da elite. Foi a maior chacina ante os monarcas desde o Domingo Sangrento.
Ainda antes que o dia se desse por terminado, o soberano Matiza Perrier não tardou para convocar uma assembleia imediata com todos os quinze membros da Elite Pasargadana. Ainda não estava claro na cabeça do rei o que havia acontecido naquela noite. Uma revolta popular? Mas por que? Como simples camponeses sabotaram a entrada de Woodyard? E como conseguiram causar um incêndio em proporções tão catastróficas? Uma pergunta levava a outra e nada parecia fazer sentido. O rei sabia que decisões pediam por serem tomadas, mas sequer sabia quais eram elas. Todos pasargadanos necessitavam clarear as suas ideias.
Na tradicional mesa redonda, Matiza, em sua primeira fala, ensaiou um fingido discurso de condolência a Marcell Cabral, pelos simbólicos serviços prestados pelo mesmo antes de sucumbir em combate - como se o catalão tivesse sido realmente primordial e valorizado dentro da Pasárgada. Após uma hora de debate, todos os nobres entraram em concordância. Na teoria proposta por Matiza Perrier, um pequeno grupo de revolucionários acqualuzenses, de fato, havia se rebelado e tentado derrubar o governo da Pasárgada naquela noite. A revolta popular era a explicação mais sã, embora fosse impossível dizer como os camponeses levaram tanta vantagem sobre soldados do mais alto escalão da elite pasargadana e de onde vieram as chamas que percorreram o palacete. O plano dos rebeldes clandestinos havia, sem sombra de dúvidas, sido muito bem arquitetado. Com isso, o alerta de Matiza e da Pasárgada foi ligado: existiam pessoas descontentes com o governo pasargadano vigente dentro da Península de Acqualuza. Era difícil saber quem eram e quantos eram. Mas, aparentemente, alguns cidadãos acqualuzenses tinham descoberto o antídoto para a cegueira social que a Pasárgada enraizou naquela região. Agora também haviam vozes contra os pasargadanos. O rei da Pasárgada não podia ir contra os seus fictícios ideais democráticos e simplesmente determinar a árdua perseguição de todos os seus opositores políticos. Matiza, prezando pela sua boa imagem perante o povo, deu carta branca para que os soldados da Pasárgada dessem um fim traumático a todo tipo de agitação revolucionária, mas como sempre, por trás das cortinas e embaixo dos panos. Com a cara limpa, o comandante continuaria discursando de modo hipócrita aos populares sobre a importância da pacificação e do direito igual a todos os cidadãos.
Na realidade, Matiza Perrier declarou guerra a um adversário inexistente: a alienação do povo seguia perfeita. O seu verdadeiro inimigo estava muito mais próximo do que ele podia imaginar. Randolph Mayoral, sempre presente à direita do rei, somente concordou com a cabeça com tudo o que Matiza Perrier expôs e deu gargalhadas falsas das piadas de péssimo gosto que o rei pasargadano emendava entre uma frase e outra.
Contudo, antes que a reunião da Elite da Pasárgada se desse por encerrada, Matiza Perrier percebeu pela primeira e única vez que havia uma cadeira vazia entre eles. Uma cadeira escondida à direita, no fundo. Era onde deveria se fazer presente o iugoslavo Constantin Saravåj. Milhares de hipóteses invadiram os pensamentos do rei pasargadano naquele momento. Talvez Saravåj tivesse tido o mesmo infeliz fim de Marcell Cabral durante a invasão dos rebeldes. Ou quiçá o guerreiro iugoslavo, sempre tão misterioso e retraído, fosse o artífice da agitação do povo acqualuzense contra os pasargadanos, instruindo os cidadãos da península em oposição à Pasárgada após denunciar aos populares a corrupção furtiva da administração de Matiza Perrier. Ou então o ex-espião pasargadano simplesmente tivesse se aproveitado do alvoroço para abandonar a Elite da Pasárgada sem dar satisfações para ninguém e dar novos rumos para a sua vida em outro lugar. Por mais que fosse divertido criar explicações para o sumiço do iugoslavo, o paradeiro de Constantin Saravåj era insignificante para Matiza, desde que este não cruzasse o caminho da Pasárgada mais uma vez. O essencial era que a Pasárgada seguisse mais forte do que nunca. Afinal, o trono de Matiza Perrier persistia intacto e o seu governo tinha cada vez mais o clamor popular. Os pasargadanos caminhavam a passos largos rumo ao seu lugar ao sol no velho continente. A Europa logo contemplaria o maior império que a humanidade já viu. Era apenas questão de tempo. Por mais injusto que fosse, Matiza Perrier tinha impreterivelmente o mundo em suas mãos.
Algumas horas depois da revolta dos cidadãos contra os pasargadanos, nas redondezas do Castelo de Woodyard, um homem encapuzado, vestido de preto dos pés à cabeça, fingia ler um jornal britânico em uma casa noturna. O sujeito somente passava os seus olhos nos letreiros do folhetim, enquanto se concentrava na conversa de dois homens que bebiam rum ao seu lado. Os amigos comentavam sobre o incêndio na sede da Pasárgada. Por mais que o fogo tenha se alastrando por boa parte do palacete, os representantes do governo pasargadano afirmaram que a gênese das chamas fora uma simples vela que caiu acidentalmente sobre uma majestosa cortina de tecido fino. Era óbvio. A Pasárgada não queria demonstrar instabilidade em seu governo.
O homem misterioso já havia escutado o suficiente. Ele levantou-se e se sujeitou ao chuvisco daquela madrugada. O indivíduo caminhou calmamente por alguns minutos, até que parou no exato lugar que deveria representar a linha imaginária que dividia a Península de Acqualuza, na Catalunha, e a vila de Balistres, na Gália. Exatamente na fronteira, o homem retirou o seu capuz, suspirou fundo, como nunca havia suspirado em toda sua vida e voltou os seus olhos ao céu, que abrigava milhões de estrelas naquela noite. O seu nome era Constantin Saravåj.
Naquela mesma noite, à alguns quilômetros do Castelo de Woodyard, uma artista nômade gaulesa que viajava pela Europa levando espetáculos artísticos para zonas periféricas deu a luz à sua primeira filha. A criança nasceu forte e saudável, e logo passou para os braços do pai, também um artista gaulês que partilhava da mesma ideologia de sua mulher. A menina erradiava alegria e paz com o seu choro de vida.
O seu nome era Anne.
A criança da profecia.
[Para os mais espertinhos: eu sei, a Iugoslávia só se formou no começo do século XX, após a Primeira Grande Guerra. A minha trama, de facto, se vale de alguns fatos históricos, como a Idade Média, a conjuntura social desta época e de regiões como a Gália e a Germânia, mas não tem exatamente um compromisso com a história como nós conhecemos. Eu queria um país que aglomerasse toda a região dos Bálcãs para ser o berço do Saravåj, e, talvez por falta de criatividade no momento, batizei essa região de Iugoslávia. Posteriormente, pode ser que eu chame essa tal "Iugoslávia" por outro nome, pra fugir desse impasse - e eu tô totalmente aberto a sugestões, hein. Para os mais espertinhos ainda: eu também sei, o acetileno só foi descoberto em 1800 e tantos. Como eu disse: o universo de Steel Hearts tem a sua própria história alternativa e uma realidade diferente da nossa - e isso serve para qualquer outra dissonância histórica na minha trama].
Obrigado por ler e aguardo ansiosamente pelo feedback! :)
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